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Sobre
THE BLACK WIZARDS + MANGA CAVA sobe ao palco a 22 de outubro de 2026, RCA - Rádioclube Agramonte, no Porto.
The Black Wizards — Force Majeure & The Acts of God Há um humor negro em Force Majeure & The Acts of God. O quarto álbum de The Black Wizards recebe o nome da expressão jurídica utilizada para descrever circunstâncias incontroláveis: o tipo de cláusula escondida no fundo dos contratos, à espera de que tudo corra mal. Depois dos anos que a banda passou a tentar concretizar este disco, o título pareceu-lhes estranhamente apropriado. Ainda assim, há algo deliberadamente irónico numa banda chamada The Black Wizards dar ao seu álbum o nome de uma expressão burocrática associada a desastres. Essa tensão entre o absurdo e o confronto percorre todo o disco: divertido, incisivo, politicamente carregado e sempre em movimento. Escrito enquanto os cenários políticos um pouco por todo o mundo mergulhavam no caos, Force Majeure & The Acts of God canaliza frustração e urgência sem nunca cair no desespero. “The world is going the way that if you finish writing a song about something that deeply touches you, by the next day there is new shit happening”, diz o baixista José Gomes. Enquanto reunia letras para o disco, a vocalista Joana Brito lia livros sobre política, género e masculinidade tóxica, incluindo The Descent of Man, de Grayson Perry, e essas ideias atravessam canções que apontam o dedo à liderança vazia, ao tribalismo social e à encenação do poder. “Killing The Buzz”, em particular, atravessa o ruído com um sentido de humor afiado, troçando do espetáculo político sem se deixar subjugar por ele. Musicalmente, Force Majeure & The Acts of God representa uma rutura decisiva com o passado da banda. “Continuamos a adorar abanar a cabeça ao som de riffs pesados”, diz Brito, “mas aquele universo do psych-rock pesado era demasiado orientado para homens, e isso não somos nós.” A névoa soturna e o rótulo de stoner rock expansivo que outrora acompanhavam a banda foram postos de lado em favor de algo mais enxuto, mais agressivo e muito mais imediato. Estas canções não avançam tanto quanto investem. Há swagger de garage rock no stomp bluesy de “Loose”, uma energia frenética de proto-punk a atravessar “Wishing Well” e uma tensão nervosa que percorre todo o disco. No centro de tudo está a própria Brito, cuja voz oscila entre ronronares felinos, desdéns cortantes e cânticos firmes e autoritários. Ao longo do álbum, a sua entrega fulminante responde às réplicas ásperas de Gomes, sobre grooves sinuosos e insistentes, enquanto a baterista Helena Peixoto conduz a banda com uma força incansável. Em temas como “Beat”, o trio inverteu deliberadamente o seu processo habitual de composição, construindo as canções a partir de padrões rítmicos em vez de riffs. “Normalmente temos um riff e depois construímos tudo à sua volta”, explica Brito, “mas também é bom fazer o contrário.” Esse espírito de reinvenção moldou todo o disco. Force Majeure & The Acts of God é o primeiro álbum escrito e gravado integralmente enquanto trio, com Gomes a juntar-se à banda pouco antes de a pandemia travar anos de dinâmica e momentum. Em vez de sobrecarregar as canções com excessos de estúdio, The Black Wizards focaram-se na imediaticidade e na fisicalidade, escrevendo sempre com o espetáculo ao vivo em mente. “Queríamos ter a certeza de que conseguíamos levar o disco para o palco sem depender de truques”, diz Brito. O próprio processo de gravação tornou-se um exercício de gestão do caos. A banda tinha inicialmente planeado gravar na Suécia com Cooper Crain, dos CAVE e Bitchin Bajas, mas, depois de uma súbita emergência de saúde os obrigar a abandonar as sessões e regressar a Portugal, tiveram de improvisar. Em vez disso, Crain viajou de Chicago para o Porto, onde a banda gravou dez temas em apenas cinco dias intensos nos Arda Recorders. Longas horas, poucas pausas, pressão constante. Inicialmente, tinham planeado gravar em fita, com Crain a trazer dos EUA máquinas de bobines, mas problemas técnicos obrigaram-nos a mudar de planos à última hora e a optar pela gravação digital. Ainda assim, a urgência joga a favor do álbum. Nada aqui parece excessivamente polido ou alisado. As arestas permanecem intactas, conferindo ao disco uma energia volátil que reflete a instabilidade que o inspirou. “É até bom ver imperfeições hoje em dia, quando tudo evolui para o baseado em IA”, diz Brito. Apesar de toda a sua raiva, Force Majeure & The Acts of God é, em última análise, movido pela ligação e não pelo niilismo. Há muito integrados na comunidade de rock ferozmente independente do norte de Portugal, The Black Wizards continuam comprometidos com a colaboração, a criatividade de base e a criação de espaços para outsiders como eles. “Queremos incentivar os miúdos a largarem os smartphones e pegarem numa guitarra, pintarem ou simplesmente serem criativos”, diz Brito. “Queremos tornar o mundo um lugar mais seguro para todos os freaks como nós.” Perante o caos, The Black Wizards escolhem o movimento, o ruído e uns aos outros. Há magia nisso. As Manga Cava surgem algures num dia fresco de primavera, à espera do verão. Entre sombra e mato, vão-se arranhando nas silvas e inventando melodias que tanto podem ser sussurradas como gritadas.Há nelas algo impulsivo, tonto e agridoce, como uma tarde sem planos. Fazem música para quem não se leva demasiado a sério e gosta de andar de braços ao léu - entre sestas a meio da tarde e corridas só para gastar energia.Tocam algo que apenas pode ser descrito como “girly indie pop punk rock tuga do mato”, seja lá o que isso for.Fonte: https://www.espacoagra.pt/pt/events/229aa847-edae-4e6f-bfe1-58e4a84c4b41/
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